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dezembro 30, 2015
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Coleta de óleo de fritura no Estado do Rio de Janeiro

O que você faz com o óleo de cozinha após o uso?

Como funciona a Coleta de óleo de fritura no Estado do Rio de Janeiro? Trabalho de Conclusão de Curso de Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos feito por Carlos Henrique Marques Malta.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – (ABIOVE), o Brasil produz aproximadamente 9 bilhões de litros de óleos vegetais por ano. Desse volume, 1/3 vai para óleos comestíveis. Ou seja, 3 bilhões de litros/ano de óleos produzidos no país. Embora estudos apontam que 6,5 milhões litros de óleo são coletados para reciclagem, menos de 1% da produção. Portanto, milhões de litros de óleos usados vão para os rios, lagos e mares comprometendo seriamente o meio ambiente.

Tutorial GRS

Os alunos do Portal Resíduos Sólidos têm a oportunidade de divulgar, através do TCC, as inúmeras soluções para o setor. Desse modo você verá como o Estado, cooperativas e empresas privadas criaram uma aliança para a coleta do óleo de fritura. Mais adiante será mostrado também a responsabilidade de cada uma das partes para tornar essa prática sustentável.

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Como funciona a Coleta de óleo de fritura no Estado do Rio de Janeiro?

A coleta de óleo de fritura no Estado do Rio de Janeiro foi o tema escolhido por Carlos Malta. Morador da cidade do Rio de Janeiro e com vasta experiência no setor de resíduos sólidos:

  • Coleta, transporte e reciclagem de óleo vegetal;
  • Coleta, transporte e reciclagem de eletroeletrônico;
  • Coleta, transporte de efluentes fotoquímicos;
  • Transporte, armazenamento e destinação final de lâmpadas fluorescentes, medicamentos, amalgamas e filmes radiológicos;
  • Licenciamento Ambiental;
  • Perícia e Auditoria Ambiental;
  • Gerenciamento de Resíduos e PGRSS para a elaboração do Trabalho de Conclusão do curso de Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos oferecido pelo Portal Resíduos Sólidos.

Uma breve introdução

A história da utilização do óleo pelo homem, se perde no tempo. Há mais de 6 mil anos o homem já utilizava o óleo de oliva. Os primeiros registros são dos povos da Mesopotâmia que untavam seus corpos para se protegerem do frio.

Na China, na Índia, no Egito e no Oriente Médio o óleo era usado também para fins medicinais. Bem como para fabricação de tintas, ceras, vernizes e perfumes. Já na Europa ele era usado na fabricação de sabão, de cosméticos e na calefação de barcos. Ao longo da história o homem foi descobrindo diversas utilidades para o óleo além da alimentação.

Os óleos vegetais deram origem aos óleos de cozinha. Sendo obtido de várias plantas, como o buriti, mamona, soja, canola, girassol e o milho, pertencendo ao grupo dos lipídios. Assim os triacilgliceróis, são os lipídios mais comuns em alimentos, formados por produtos da condensação entre glicerol e ácidos graxos. Usualmente conhecidos como óleos e gorduras (Ribeiro & Seravalli, 2004), desempenhando um papel muito importante na alimentação humana. Melhorando dessa forma as características sensoriais no sabor, odor e na textura do alimento.

O processo de fritura provoca alterações físico-químicas nos óleos, sua oxidação e hidrólise, levando à produção de compostos tóxicos. Dessa forma há a alteração do sabor, cor e do odor. Tornando-se assim uma preocupação para os profissionais das áreas de nutrição e saúde pública (Araújo, 2004: Pereda et al.2005).

São 59 páginas bastante ilustradas e com links para alguns vídeos exclusivos. O conteúdo do eBook abrange A biodigestão anaeróbia, Fatores que influem na produção de biogás, As fases da biodigestão anaeróbia com informações detalhadas sobre a Hidrólise, Acidogênese, Acetogênese, Metanogênese e Sulfatogênese.

Existem medidas para definir o ponto correto para o descarte do óleo de fritura, uma delas é a análise de quantificação dos compostos polares. Esse método é usado por vários países da Europa e permite o máximo de 25% dos compostos polares nos óleos. No Brasil, não há regulamentação que determine legalmente o momento de descarte para óleos de fritura (Sanibal & Filho, 2002).

Reciclagem de óleo de fritura no Estado do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro, segundo o IBGE em 2014 foi considerado o Estado com a maior densidade demográfica do Brasil. Além de ser considerado o 4º menor estado do Brasil, ocupando uma área de 43 777,954 Km2. É a segunda economia do Brasil, a quarta da América do Sul, com população estimada de 16,46 milhões habitantes. Em vista disso, sua meta é erradicar os lixões em suas 92 cidades, e descartar seus resíduos em aterros sanitários. Dessa forma, foram criados vários programas para diminuir e reciclar os resíduos gerados no Estado do Rio de Janeiro.

Ainda assim o óleo de fritura ainda é descartado sem nenhum critério. Muitas das vezes as donas de casa por falta de orientação, jogam o mesmo nos ralos. Ou até os acondicionam em garrafas pet e os colocavam no lixo comum, indo parar nos lixões.

No site oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro, está registrado como tudo começou:

Histórico

Em 1º de Janeiro de 2007, Sérgio Cabral assume o governo do Estado do Rio de Janeiro. Empossando Carlos Minc na Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

Minc procurou empresários, cooperativas, ONG’s e a sociedade civil como um todo e começou o seu projeto arrojado.

No primeiro o Governo do Estado do Rio de janeiro assumiu o compromisso de reverter o dramático quadro dos lixões. Para isso lançaram o Pacto do Saneamento com a audaciosa meta de erradicação de todos os lixões municipais. Era o programa LIXÃO ZERO sendo iniciado.

Este programa é anterior à lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, teve início com o convênio MMA/ SRHUnº10/2007. O pacto estabeleceu a meta original de elaborar proposta focando em soluções regionalizadas para o destino final dos resíduos sólidos. Assim dos 70 lixões existentes em 2007, já foram fechados 53, existindo ainda 17 lixões em funcionamento.

O governo do estado do Rio de Janeiro lançou diversos programas voltados para a coleta seletiva e a reciclagem. Desse modo visando à redução da quantidade de resíduos sólidos urbanos encaminhados aos aterros sanitários. Então a sua meta é alcançar 10% no índice de reciclagem do lixo gerado em todo o estado. Para isso foram criados diversos programas que fazem parte das ações do pacto da reciclagem, um deles é a coleta e a reciclagem do óleo de fritura.

Programa PROVE

O Programa de Reaproveitamento de Óleos Vegetais do Estado do Rio de Janeiro, chamado de PROVE, foi criado em 2008. Com a finalidade de incentivar a reciclagem do óleo de cozinha usado. Para assim reduzir o seu descarte nos lixões e na rede de esgoto.

O programa consiste na coleta de óleo por meio das cooperativas populares e na venda deste óleo para a refinaria de Manguinhos, onde ele é transformado em biodiesel

Gestão e Gerenciamento do óleo de fritura  

A gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos no Rio de Janeiro são realizados por empresas credenciadas pelo órgão ambiental (INEA). Bem como pelas secretarias ambientais municipais de cada município. As quais exigem conhecimento sobre a tratabilidade de um responsável técnico que vai elaborar um organograma do projeto. Contemplando dessa forma as máquinas e os equipamentos necessários para sua tratabilidade, o seu reuso e a sua reciclagem. Como também a sua correta destinação final, através de um documento chamado manifesto de resíduo. No qual a  sua rastreabilidade é possível por estar registrado na internet, sendo elaborado em 4 vias.

Com o óleo de fritura, após a realização das diversas etapas em sua purificação, o mesmo é enviado para produção de diversos produtos.

Abaixo vemos uma figura que nos mostra o seu caminho para a produção do biodiesel.

Óleo de cozinha é recolhido, transformado em biodiesel, distribuido e adicionado ao óleo diesel comum. (FONTE: Claudia Bejan, professora de química da UFRPE, Nívia Freitas, diretora da Recóleo, Lucinaldo da Silva, Diretor da Disque Óleo)

Aspectos ambientais do óleo de cozinha

O óleo de cozinha no Brasil ainda é comumente descartado na pia da cozinha. Pois ainda não temos políticas bem elaboradas de gerenciamento deste resíduo.

“Segundo Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – (ABIOVE). O Brasil produz aproximadamente 9 bilhões de litros de óleos vegetais por ano. Desse volume, 1/3 vai para óleos comestíveis, ou seja, 3 bilhões de litros/ano de óleos produzidos no país. Embora estudos apontam que 6,5 milhões litros de óleo são coletados para reciclagem, menos de 1% da produção. Portanto, milhões de litros de óleos usados vão para os rios, lagos e mares comprometendo seriamente o meio ambiente”.

“Segundo a Oïl Word o óleo representa uma porcentagem ínfima do lixo, porém seu impacto ambiental é muito grande. Representa o equivalente da carga poluidora de 40.000 habitantes por tonelada de óleo despejado em corpos d’água. Apenas um litro de óleo é capaz de esgotar o oxigênio de até 20 mil litros de água. Em poucos dias, forma-se uma fina camada sobre uma superfície de 100 m2, o que bloqueia a passagem de ar e luz, impedindo a respiração e a fotossíntese”.

O que dizem os especialistas?

Pesquisadores afirmam que um litro de óleo de cozinha pode poluir cerca de 10.000 litros de água. Mas algumas estimativas dizem que um litro de óleo pode poluir até um milhão de litros de água. Além disso, a poluição pelo óleo faz encarecer o tratamento da água em cerca de 45% (GALVALIZI, 2009).

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alexandre D’Avignon. Revela que a decomposição do óleo de cozinha por bactérias anaeróbicas emite grandes quantidades de metano na atmosfera. O gás metano retém mais radiação solar, por isso é 21 vezes mais poluente que o gás carbônico.

No solo impermeabiliza o mesmo, provocando a proliferação de microorganismos e causando danos ao sistema radicular das plantas.

Nas tubulações o mesmo aglutina diversos resíduos que são jogados no esgoto, tais como pontas de cigarros,, unhas, curativos, etc. Assim forma-se um bloco rígido, difícil de ser retirado, causando mau cheiro e dificultando a passagem da água.

O que diz os órgãos ambientais?

O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) ao perceber que o estrago ocasionado pelo descarte do óleo de cozinha. Criou a Resolução nº430/2011, que passou a limitar o lançamento de óleo em 50 mg/l nos corpos. Em outras palavras, 1 litro de óleo para 20 mil litros de água. Já para os rios Classe 1, 2 ou 3, a presença do óleo deve ser virtualmente ausente.

A queima do biodiesel contribui para o ciclo neutro de carbono. Pois todas as emissões de dióxido de carbono (CO2) emitidas durante a combustão são absorvidas pelas oleaginosas durante seu crescimento. Dessa forma equilibra o balanço negativo gerado pela emissão de gás carbônico na atmosfera (RAMOS, 1999).

Ciclo de funcionamento da Cadeia do Biodiesel (FONTE: Plan.a Bio)

Coleta e transporte de óleos vegetais

A coleta e o transporte dos resíduos sólidos exigem um bom planejamento, recursos financeiros e humanos. Sobretudo, seu objetivo é gerar segurança aos profissionais envolvidos e retorno financeiro.

O Programa PROVE, evitou que cerca de 15 milhões de litros de óleo fossem descartados inadequadamente em ralos de pias. Para isso, o Governo cede às cooperativas Kombi com motorista e combustível, local para armazenamento. Já e as cooperativas fornecem a mão de obra, para depois venderem para as recicladoras.

Existem diversas firmas que fazem a coleta em restaurantes, indústrias e condomínios. Elas pagam pelo óleo coletado e os revendem já tratados para as indústrias.

O Governo do Estado está recorrendo às empresas e as cooperativas para iniciar a coleta e o transporte do óleo. Pois ainda não atingiu os seus 10% de todo o volume de óleo gerado por toda a população”. (Secretaria de Estado do Ambiente RJ).

Aspectos econômicos relacionados ao óleo de fritura

O óleo de cozinha é beneficiado pelas centrais de tratamento, específicas para o óleo usado. Assim é feito a remoção dos sólidos e da água, e o seu PH é corrigido. Em seguida, é utilizado na produção de sabão, ração animal, na fabricação de tintas e como fonte alternativa de energia.

Sua reciclagem permite o seu emprego como matéria prima na produção de biodiesel (combustível alternativo ao diesel do petróleo). Garantindo um produto isento de enxofre, um dos responsáveis pela redução da camada de ozônio e chuvas ácidas (BAIRD, 2002).

Oliveira e Sommerlatte (2009) afirmam que o óleo descartado no ralo da pia provoca incrustações nas tubulações. Pois se emulsifica com a matéria orgânica, formando crostas e retendo resíduos sólidos. Atraindo assim, vetores de doenças e causando mau cheiro. Esse fator pode ocasionar a necessidade da adição de produtos tóxicos nocivos ao meio ambiente para a retirada destas crostas. Ainda mais o óleo prejudica as estações de tratamento de esgoto, prejudicando o desempenho dos decantadores e dos biodigestores anaeróbios. Além desses prejuízos já citados, o descarte do óleo no encanamento encarece em 45% o tratamento do esgoto.

Desenvolvimento sustentável deste setor no Estado

O PROVE mobiliza 400 cooperados de vários municípios, de 45 cooperativas, que recolhem 3 milhões de litros/ano de óleo. O programa já alcançou a maioria dos municípios fluminenses, tendo ampliado o seu diálogo com a iniciativa privada. Estabelecendo dessa forma parcerias focadas na instalação de pontos de coletas em diversas empresas.

Moradores e comerciantes já estão depositando seu óleo de cozinha usado em diversos pontos de coletas espalhados pela cidade. Contribuindo assim para a sustentabilidade e crescimento do projeto.

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Conclusão

A influência da ação humana na natureza é percebida pela sua geração abusiva de resíduos. O modelo econômico atual necessita de mudanças urgentes. Pois os recursos são finitos, existe a necessidade da elaboração de um novo modelo econômico, a economia circular.

O óleo vegetal aqui no Brasil é muito abundante e barato, isso desestimula a sua reciclagem. Os seus custos de arrecadação e processamento, encarecem todo o processo se compararmos com a utilização do óleo vegetal puro. Porém seu prejuízo ao meio ambiente, tornam sua reciclagem uma prática obrigatória em benefício do meio ambiente.

O óleo de cozinha como resíduo, é o grande vilão. Pois apesar de representar um volume inferior comparado a outros resíduos, seu poder de poluição é muito grande. Logo se faz necessário a realização de uma política agressiva que contemple toda a população. Para que incentive seu correto armazenamento e a sua destinação final para as empresas de reciclagem ou para as cooperativas.

Sabemos que na sociedade em que vivemos é quase impossível não gerarmos resíduos. Ao observarmos o cenário mundial, constatamos um aumento significativo da geração, porém o gerenciamento correto de qualquer resíduo, é de fundamental importância para a natureza, que é o santuário da humanidade.

Veja a apresentação do trabalho em vídeo

Trabalho para Conclusão de Curso

Trabalho para a conclusão do curso de Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos feito por Carlos Henrique Marques Malta

Referências:

  • Araujo, J.M.A.Quimica de Alimentos -Teoria e Prática – U. F.V. 3ª Ed. 2004, 478P. Acessado em 11/06/2015.
  • Baird. C. Química Ambiental. 2ªed. Editora Artmed, P.622, 2002. Acessado em 12/06/2015.
  • Chiara, V.L. Silva. Ácidos Graxos Trans – Doenças Cardiovasculares e Saúde Materna infantil. Rev.Nutr. Campinas, 341-349, set/dez-2002. Acessado em 11/06/2015.
  • http://www.oilworld.biz/app. php.Acessado em 10/06/2015.
  • Pereta, J.A.O.Rodriguez-Tecnologia de Alimentos. Volume 01. P.33-49. Componentes dos Alimentos e Processos. Artmed. 2005. Acessado em 11/06/2015.
  • Ramos, L.F. Anais do Congresso Brasileiro de Soja. Centro Nacional de Pesquisa de Soja. Empresa Nacional Agropecuaria – Londrina -PR. 1999. Acessado em 12/06/2015.
  • Ribeno, E.P. Seravalli, E.A.G. Química de alimentos -Edgar Blucher, 2004-P. 111-143. Acessado em 10/06/2015.
  • Sanibal, E.A.A. Filho, J.M. Alterações Físicas, Químicas e Nutrição de Óleos Submetidos ao Processo de Fritura. Caderno de Tecnologia de alimentos e Bebidas. Edição 18, 2002. Acessado em 12/06/2015.
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About Gleysson B. Machado

Gleysson B. Machado

Sou especialista em transformar problemas ambientais em negócios sustentáveis. Formado em Dip. Ing. Verfahrenstechnik (Eng. Química) pela Universidade de Ciências Aplicadas de Frankfurt/M na Alemanha com especialização e experiência em Tecnologias para geração de Energia e Engenharia Ambiental. Larga experiência em Resíduos Sólidos com foco em Biodigestores Anaeróbios

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