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setembro 28, 2016
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Iniciativas locais são parte da solução para crises globais?

Iniciativas locais são parte da solução para crises globais? O exemplo de Campinas. O que esperar de um mundo onde a própria humanidade emerge como força biogeoquímica – era do antropoceno[2] – a desestabilizar as próprias bases naturais que permitem o equilíbrio da vida, da biosfera[3], concomitantemente a perspectiva de que o próprio sistema-terra – a percepção consciente, tardia de Gaia – passa ao primeiro plano no cenário político, com impactos locais e globais, como um dos principais agentes da pauta política mundial, – perda da biodiversidade, enchentes, secas, desequilíbrios ecológicos, mudanças climáticas – demandando ações e responsabilidades de todos indivíduos e níveis de governo?­

Eventos climáticos extremos, drástica perda de biodiversidade, desflorestamentos fora de controle, crimes ambientais, como recentemente aconteceu no Brasil na cidade de Mariana – com a possível extinção da bacia do rio doce, ainda de consequências imprevisíveis – poluição de águas superficiais, rios e mares, não só por cerca de 5 trilhões de partes plásticas[4] que afetam agora mais de 88% de suas superfícies, mais ainda, por uma variedade difusa de compostos químico-orgânicos, pesticidas, fármacos que só recentemente cientistas alertaram para o iminente colapso de mares e oceanos, afetando diretamente toda a cadeia alimentar, de plânctons a humanos. A sede das Olimpíadas de 2016, tem enfrentado repercussões internacionais com a intensa poluição da baía de Guanabara, a incapacidade de lidar com o problema, é comprovada internacionalmente. Não, não é ficção científica, é a dura realidade que nos chama à mudança radical rumo ao desenvolvimento sustentável, ao bem comum e ao bem viver. O que as cidades e os governos locais têm a ver com isso?

Entre todos os agentes do sistema econômico global, da extração da matéria prima ao consumo e descarte final, existe a produção de Lixo, ou melhor, de resíduos sólidos, como instituí a Política Nacional de Resíduos Sólidos, través da Lei 12.305\2010. Não há fator mais democrático que o Lixo. Está na base de todas as atividades econômicas, em todos os ramos e setores, em todas as classes sociais e sociedades de mercado, sem exceção. O Lixo permeia todas as ideologias e sistemas políticos, afeta diretamente, esta única, que foi exaltada como a nossa Casa Comum na recente Encíclica Laudato Si. Mas a natureza em si, produz lixo? Não há nada que seja produzido pela natureza, que não seja imediatamente reaproveitado em outro ciclo da vida, tudo na natureza é cíclico, não existe lixo, não há aterros sanitários na natureza. Só recentemente, como descrito acima, agora por uma questão de resiliência, a Humanidade começa a dar-se conta da iminente tragédia anunciada. E agora, o que fazer?

Planetary Boudaries

Fonte: http://www.stockholmresilience.org/research/planetary-boundaries.html

( A foto mostra os resultados de pesquisas do centro de resiliência de universidade de Stockholm, considerando os impactos causados no planeta pela humanidade como um todo. A integralidade das 9 dimensões apresentadas são necessárias para não abalar as condições da vida como a conhecemos).

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O processo de urbanização moderno, sobretudo na América Latina e Caribe é um fenômeno recente, realizou-se de maneira acelerada e sem o devido planejamento nas últimas décadas, gerando enormes problemas estruturais nas cidades, como: falta de acesso à moradia, extrema precariedade no saneamento básico e tratamento de resíduos sólidos, proliferação de doenças transmitidas por vetores que se reproduzem exponencialmente devido à insalubridade e descuido com o meio ambiente, como acontece nos surtos epidemiológicos ligados ao mosquito Aedes Aegypiti, que alarmaram diversos municípios no Brasil. A recente urbanização fez com que cerca de 80% da população brasileira, viesse a residir nas grandes e médias cidades nos últimos 30 anos, agravando os impactos decorrentes da falta de infraestrutura básica, do acesso às garantias sociais constitucionais e ao meio ambiente de qualidade, entre outros. Em recente estudo realizado pelo BNDS, XXI: O século das cidades no Brasil[5] argumenta-se que a melhoria das condições de vida da população, deve acontecer junto com a melhoria da economia, mas isso requer muito mais do que planos de crescimento com ênfase macroeconômica e políticas de industrialização que não levam em conta a variável espacial, especialmente a situação dos centros urbanos. É apresentado o argumento segundo o qual, o desenvolvimento econômico deve ser promovido não exclusivamente, mas principalmente a partir da solução dos problemas urbanos, espacialmente localizados. O simples crescimento econômico promovido a partir de estímulos macroeconômicos poderá ter como reflexo o mesmo padrão desordenado de crescimento dos centros urbanos observados ao longo do século XX. Neste sentido, os presentes problemas e desafios urbanos enfrentados, devem ser vistos como oportunidades para a solução permanente de desafio, alavancagem socioeconômica, política e como fomento ao desenvolvimento sustentável das cidades.

Iniciativas Locais Inovadoras?

A elaboração de políticas públicas locais, de curto, médio e longo prazo, articuladas com as diretrizes de fomento ao desenvolvimento sustentável e a governança da sustentabilidade, garantem a geração de empregos, a dinamização da economia, a melhora na qualidade de vida, a redução de custos e equilíbrio fiscal, engendrando um movimento construtivo de uma cidade sustentável e criativa. Colaborando no processo de liderança para a construção do local para o global, através das redes de cidades e governos sustentáveis e criativos. O grave problema do lixo, que tem suas externalidades negativas agravadas local e globalmente, tem como estratégia de solução a radical mudança de perspectiva sobre o modo como produzimos, vivemos, consumimos e nos relacionamos com a natureza, se as cidades são as grandes geradoras de Lixo no planeta terra, é nas cidades que está a solução, na articulação de atores econômicos ambientais e sociais, na criação de programas permanentes, de visão e compromisso de futuro e na seriedade com o trato com a coisa pública, com os cidadãos e com o planeta, não há jogar fora, tudo está dentro da nossa casa comum, e tudo está sistemicamente relacionado. Neste sentido, o entendimento do conceito de Lixo Zero, é fundamental para estruturar programas e iniciativas nas cidades e comunidades que transformem a relação dos indivíduos com os recursos naturais, e com a geração de resíduos, o lixo não é lixo, torna-se lixo a partir da ação humana. É imperativo passarmos dos paradigmas de uma economia linear consolidada após a revolução industrial e as grandes guerras para uma economia circular, para o reaproveitamento integral de produtos e resíduos seja na dimensão técnica, material ou biológica. O planejamento territorial local, fundamentado no desenvolvimento sustentável, na ideia do bem comum e do bem viver, constitui o novo paradigma, tanto na perspectiva da participação ativa dos cidadãos na formulação, implementação, decisão e controle social sobre as políticas públicas e a vida local, como na reorganização da maneira como nos relacionamos com o território, os recursos naturais, a energia e a alimentação.

[1] Gustavo Rittl – Cientista Social, Bacharel em Ciências Sociais pela UNESP, Especializado em Gestão da Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa pelo IE-UNICAMP, Mestrando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento socioambiental na UDESC, consultor na área de desenvolvimento sustentável. Atua no Fórum Lixo & Cidadania de Campinas, promovendo o conceito de Lixo Zero. Contato: [email protected]

Referências

[2] Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Antropoceno

[3] Veja estudo em: http://www.stockholmresilience.org

São 59 páginas bastante ilustradas e com links para alguns vídeos exclusivos. O conteúdo do eBook abrange A biodigestão anaeróbia, Fatores que influem na produção de biogás, As fases da biodigestão anaeróbia com informações detalhadas sobre a Hidrólise, Acidogênese, Acetogênese, Metanogênese e Sulfatogênese.

[4] Estudo FAO: http://www.fao.org/news/story/es/item/319970/icode/

[5] Acessível em: https://web.bndes.gov.br

 

 

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