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setembro 8, 2016
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A inovação não está só nos parques tecnológicos. O exemplo de Campinas.

A inovação não está só nos parques tecnológicos. O exemplo de Campinas. É fácil perceber, o quanto se perde, não somente economicamente, ao utilizarmos o método e o instrumento de valoração econômica, em análises simples de custos e benefícios diretos e indiretos, aplicado à cadeia de resíduos sólidos urbanos – e suas externalidades negativas, como saúde pública, poluição do ar, água e solo, emissão de CO2 e gases de efeito estufa – que é um sólido instrumento para fazedores de políticas públicas e tomadores de decisão, vemos o quanto de recursos e potencial em diversas áreas a cidade de Campinas e a região metropolitana perde com uma gestão ineficiente de resíduos sólidos urbanos.

O Instituto de Análise Econômica Aplicada IPEA[2], já revelou que o país perde 8 bilhões de reais por ano por uma política ineficiente na gestão de resíduos sólidos urbanos, é inaceitável, não somente pela dimensão econômica, mas pela perca dos potenciais sociais e ambientais relacionados direta e indiretamente com a questão.

Curso de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos no Portal Residuos SolidosUma cidade que é considerada como o vale do silício brasileiro, centro da Inovação, Tecnologia e Ciência do estado de São Paulo não pode ser desastrosa em suas políticas públicas municipais. Qual a dificuldade de integrar ferramentas de gestão, aplicativos digitais, internet das coisas, computação em nuvem, programas educacionais, campanhas de conscientização, arte, cultura, mobilidade urbana, em um programa que integre diferentes secretarias do governo municipal, setores da sociedade civil, iniciativa privada e os cidadãos de forma ativa na construção de sua cidade?

Campinas somente em resíduos eletrônicos, que segundo informações do DLU, os recolhe e encaminha a São Paulo para serem exportados para a Alemanha, gera um total de 40 toneladas por mês, de acordo com dados do Departamento de Limpeza Urbana, fazendo uma conta simples em alusão à metodologia mencionada acima, e usando dados da ONU[3] para valoração de componentes contidos em cada tonelada de Resíduos Eletrônicos, chega-se à conclusão de que cada tonelada de REE que a cidade gera podemos calcular o valor econômico potencial de R$ 56.7701,5 multiplicando por 40 toneladas a cada mês são R$ 2, 271, 080 por ano chega-se a quase R$ 27 milhões e meio, somados a baixa taxa de reciclagem não mais que 3% em uma estimativa otimista, soma-se mais cerca de R$ 6 milhões por mês, isso se considerar os resíduos da construção civil que podem ser usados na pavimentação e reconstrução da cidade gerando economia, e sem considerar os resíduos orgânicos que tem um grande potencial desde produção de biogás, biofertilizantes e adubo de qualidade para reflorestar e aumentar as áreas verdes per capta na cidade. Poderíamos seguir o raciocínio e calcular o quanto uma política de saneamento básico e de má gestão dos resíduos sólidos urbanos gera ao erário público, somando-se os custos diretos e indiretos na saúde pública, na manutenção da cidade, na emissão de C02, na perda de produtividade e aí por diante, para se chegar a uma perspectiva mais assertiva do real custo da irresponsabilidade, e não se trata somente de eficiência econômica.

A inovação

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É imperativo para a Cidade de Campinas e RCM e para todas de maneira geral, que estabeleçam uma visão de longo prazo sustentável, – em geral 30 anos, que corresponde à média dos contratos da administração pública para o setor -, e formulem programas de políticas públicas para modelos de Cidade Lixo Zero, aonde taxas de reciclagem chegam a 80% – 90%, com restrições a produtos e materiais sem solução de reciclagem, conduzindo a economia local para um modelo de economia circular, sustentável e criativa. Onde o desenvolvimento territorial local seja fundamentado em uma cultura regenerativa dos espaços urbanos e paisagens naturais. Trata-se de uma questão de resiliência frente aos enormes desafios que estão postos e dos que estão ainda por vir; pactuar uma visão de futuro ampla, inclusiva, justa social e ambientalmente e a construir democraticamente de maneira participativa, é o mínimo que se pode fazer para a nossa casa comum, para as presentes e futuras gerações, partindo de soluções locais para problemas globais.

Campinas, polo da Ciência, da Tecnologia e da Inovação, não o pode ser somente em sua propagando ou dentro dos muros dos parques tecnológicos de algumas empresas, tem que ser também, centro da Ciência, da Tecnologia e da Inovação na prestação de serviços públicos inovadores e criativos, em seus processos administrativos, na formulação e implementação de suas políticas públicas e, sobretudo na gestão dos resíduos sólidos urbanos, seguindo a hierarquia determinada pela PNRS, da não geração a destinação final de rejeitos ambientalmente adequada. Esperar menos é conformar-se com uma visão apequenada, cômoda com as relações e dinâmicas estabelecidas, que hoje demonstram sua completa falência.  Vale lembrar que, a atenção é voltada para a melhoria das conexões e do desempenho de sistemas e ecologias de inovação. Tais ecologias podem formar combinações inimaginadas: a antropologia pode informar a produção e a distribuição de energia local; a filosofia pode influenciar o projeto de circuitos de semicondutores; o estudo de música pode afetar a prestação de serviços financeiros…A inovação deve gerar produtos e processos que melhorem o meio ambiente ou que, no mínimo, não causem danos a ele. Desenvolvimento sustentável e inovação são os dois lados da mesma moeda. Muitos dos desafios da sustentabilidade – mudança climática, gestão de recursos aquáticos, agricultura geneticamente modificada, eliminação de resíduos, proteção a ecossistemas marinhos e perda de biodiversidade – são persistentes e não tem solução completa, havendo a falta de um conjunto claro de alternativas e pouco espaço para tentativa e erro, argumentam Dogson e Gann, 2014, no livro Inovação[4]. As cidades são lócus fundamentais da inovação, da reordenação e ressignificação de espaços e territórios urbanos, o lixo dessa maneira, não é problema e sim solução.

Referências

[1] Gustavo Rittl – Cientista Social, Bacharel em Ciências Sociais pela UNESP, Especializado em Gestão da Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa pelo IE-UNICAMP, Mestrando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento socioambiental na UDESC, consultor na área de desenvolvimento sustentável. Atua no Fórum Lixo & Cidadania de Campinas, promovendo o conceito de Lixo Zero.

[2] Disponível em: http://www.ipea.gov.br

[3] Disponível em: https://nacoesunidas.org

[4] Dodgson, Mark,;Gann David. Inovação. Tradução Iuri Abreu, 1 ed. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2014.

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