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agosto 26, 2014
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O mercado de biodigestores no Brasil

Em um momento em que todos buscam soluções para os resíduos sólidos, os biodigestores vêm se consagrando cada vez mais como a solução ideal para o tratamento de resíduos sólidos orgânicos de diversas origens. O mercado de biodigestores oferece grandes oportunidades para empreendedores e investidores e nesse artigo, vamos fazer um cálculo estimado do seu tamanho no Brasil.

Os segredos do mercado de resíduos sólidos completamente revelados em um único curso.Baseando-se em soluções tecnológicas modernas, já consagradas em países desenvolvidos, diversos órgãos e repartições, assim como engenheiros e até mesmo o próprio Portal Resíduos Sólidos tem indicado o uso de biodigestores para o tratamento de resíduos sólidos orgânicos. Em todo o país, são 5.570 cidades que buscam soluções para os resíduos orgânicos alem de milhares de empresas do setor do agronegócio, indústria alimentícia, biorefinarias, entre outras.

O princípio básico de funcionamento de um biodigestor consiste no processamento de matéria orgânica para a geração de biofertilizantes e biogás (que pode posteriormente servir como base para a geração de energia térmica ou elétrica), não fazendo muita diferença para o biodigestor a origem da matéria orgânica que pode ser de resíduos ou de cultivos específicos. Deste modo, o biodigestor se relaciona com pelo menos 3 setores, o de resíduos sólidos, o do agronegócio e o de energia.

Biodigestor rural de Oyten - Alemanha, indicado para o tratamento de resíduos sólidos orgânicos do agronegócio

Biodigestor rural de Oyten – Alemanha, indicado para o tratamento de resíduos sólidos orgânicos do agronegócio

Matéria Orgânica – Substrato

No Brasil, como o setor de resíduos busca soluções urgentes, deve ser esta a primeira fonte de substrato. Em países como a Alemanha, devido a uma necessidade de mudança de matriz energética a partir da crise no setor de energia nuclear, iniciado com o acidente nuclear de Fukushima, o Governo subsidiou a implantação de biodigestores com qualquer tipo de substrato. Por isso, o cultivo de milho específico para este tipo de empreendimento, ainda domina o mercado. Atualmente (2014), o subsídio para biodigestores com substratos agrícolas foi eliminado e somente os empreendimentos que utilizam substratos de resíduos urbanos continuam sendo subsidiados.

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Os resíduos orgânicos que podem servir de substratos para um biodigestor podem ser:

  • Resíduos Sólidos Orgânicos Urbanos – RSOU
  • Estação de Tratamento de Esgoto – ETE
  • Resíduos do Agronegócio (frigoríficos, produção agrícola, …)
  • Resíduos orgânicos industriais (Cervejaria, fábricas de arroz, celulose, destilarias, biorefinarias, …)
  • Entre outros

Biofertilizantes

O substrato é composto basicamente de uma grande quantidade de água, matéria orgânica e sais minerais. Dependendo da eficiência do processo de fermentação em um biodigestor, a matéria orgânica pode ser quase que totalmente transformada em biogás restando apenas a água e os sais minerais caracterizando um biofertilizante de excelente qualidade.

O Brasil é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, mas também o quarto maior importador de fertilizantes (2014). Os biofertilizantes podem ajudar sensivelmente a agricultura do país e representar uma importante fonte de renda para os empreendimentos de biodigestores.

Biodigestor Anaeróbio

Biogás

O biogás é composto principalmente de metano e gás carbônico. Após um processo de combustão simples do metano é possível obter energia térmica que pode ser convertida em energia elétrica. A demanda pelas duas formas de energia no Brasil é gigantesca e garante um mercado consumidor para empreendimento de biodigestores.

No Brasil a principal fonte de geração de energia são as hidrelétricas. Em 2014, com a seca dos reservatórios e a crise energética, as energias alternativas ganham cada vez mais espaço.

Créditos de Carbono

Apesar de em 2014 não representar mais um grande negócio, a comercialização de créditos de carbono gerados justamente pela combustão do metano, pode contribuir para a viabilidade econômica de um projeto com biodigestor.

O tamanho do mercado de biodigestores no Brasil

Para calcular o tamanho do mercado de biodigestores no Brasil, ou seja, estimar o número de biodigestores que o mercado brasileiro precisa no momento, faremos um trabalho simples de diagnóstico dos resíduos orgânicos divulgados no Plano Nacional de Resíduos Sólidos de autoria do Ministério do Meio Ambiente brasileiro em sua versão preliminar de setembro de 2011. Aqui serão considerados somente os resíduos sólidos orgânicos como fornecedor de substrato para o biodigestor. Isso não impede que alguns empreendedores, a depender da particularidade do projeto, façam uso da agricultura de milho, capim elefante, soja, mandioca, … para complementar os substratos e assim, conseguir gerar mais energia ou biofertilizante.

Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos

Considerando os valores divulgados no Plano Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, chegamos aos dados apresentados no vídeo abaixo:

A partir disso, podemos tratar cada um dos pontos apresentados no vídeo acima e entender ponto por ponto como chegamos aos dados apresentados.

Resíduos Sólidos Orgânicos Urbanos – RSOU

O Brasil tem cerca de 200 milhões de habitantes em 2014 segundo o IBGE. No PNRS podemos ver que em 2008, cada a geração de resíduos no Brasil foi de 1,1 kg/dia.hab. Para calcular o potencial máximo a partir desses dados, vamos levar em consideração que 100% do lixo orgânico gerado no Brasil fosse devidamente tratado em biodigestores. Seriam necessários construir 1.130,8 Biodigestores de 1 MW-el, obtendo uma potencia elétrica total de 1,13 GW. Comparando os dados com um biodigestor referência na cidade de Marl-Alemanha, seriam necessários R$ 22,62 bi de investimento total.

Estações de Tratamento de Esgoto – ETE

Segundo o IBGE, em 2013 o Brasil tinha 5.570 cidades. O tratamento de esgoto deve ser feito em cada município, portanto, se todas as ETEs do Brasil, tivessem um sistema de biodigestão, seriam necessários construir no mínimo 5.570 Biodigestores com potências elétricas variadas.

Para entender como chegamos aos números acima citados, veja o vídeo abaixo:

Setor de Agronegócio

No setor do agronegócio se encontra a maior demanda por biodigestores. Levando em conta os dados divulgados no PNRS, para tratar todo o resíduo orgânico do setor do agronegócio, seriam necessários cerca de 94.672,3 Biodigestores com potência elétrica de 1MW cada um, o que significaria uma potência elétrica total de 94,7 GW. O investimento estimado para implementar todos esses biodigestores seria na ordem de R$ 994 bilhões.

Com isso, para fazer o tratamento de resíduos sólidos orgânicos no Brasil, seriam necessários construir 101.373 biodigestores com potencia elétrica de 1 MW cada um. A potência elétrica total instalada seria de 101,4 GW a um custo de investimento de R$ 1.047.310,61 milhões, isso mesmo, mais de 1 trilhão de reais.

Entenda melhor os dados levantados para o setor do agronegócio, assistindo ao vídeo abaixo:

Considerações finais:

Os números calculados aqui se baseiam em dados oficiais divulgados e comprovados por órgãos competentes, contudo, os dados levantados no Plano Nacional de Resíduos Sólidos ainda são superficiais, devida a inexistência de dados mais completos. O próprio PNRS descreve a dificuldade no levantamento de dados no Brasil da seguinte forma:

A Versão Preliminar do Plano deve estar embasado em estudos que a fundamentem.

É neste contexto que o MMA e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) iniciaram o processo de elaboração de um Diagnóstico da Situação Atual dos Resíduos Sólidos no Brasil, parte do conteúdo mínimo do Plano Nacional de resíduos Sólidos. Como o prazo legal estabelecido no Decreto 7.404 não permite a geração de dados primários, o estudo elaborado pelo IPEA trata da compilação de dados existentes e análises de coerência entre as fontes, além da elaboração de estimativas próprias baseadas em dados primários preexistentes. Além de técnicos do IPEA, participam da elaboração do Diagnóstico especialistas contratados no Programa de Pesquisa para o Desenvolvimento Nacional (PNPD) e há orientação do próprio Comitê.

Em vários assuntos tratados neste documento é expressa a fragilidade de dados existentes, devendo se levar estas fragilidades, e até inexistência de alguns dados, em consideração ao se elaborar as metas previstas para constarem no Plano Nacional. Uma conclusão geral do trabalho é a necessidade de geração de dados primários com maior abrangência e periodicidade, além da sua padronização com base nas necessidades percebidas para o cumprimento do que é estabelecido na nova Lei. (Plano Nacional de Resíduos Sólidos – set-2011)

Acredita-se que após um levantamento de dados mais preciso, o que deve ser resultado da implantação de Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS, a quantidade de resíduos no Brasil deve aumentar ainda mais. Apesar disso, sabe-se que é praticamente impossível coletar e tratar a totalidade dos resíduos orgânicos de um país com dimensões como o Brasil. Esses dois fatores influenciam os valores calculados da mesma forma e em sentidos opostos, o que deve resultar numa convergência para os valores calculados e apresentados aqui.

De qualquer modo, o mercado de biodigestores no Brasil constitui um setor estratégico para o Governo Federal brasileiro e uma excelente oportunidade para empreendedores e investidores em todo o país. Prevendo isso, lançamos o curso de Plano de Negócio para Biodigestores para qualificar consultores que trabalharão diretamente identificando potenciais negócios em suas regiões atuando em uma área com demanda gigantesca.

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About gleysson

gleysson

Sou especialista em transformar problemas ambientais em negócios sustentáveis. Formado em Dip. Ing. Verfahrenstechnik (Eng. Química) pela Universidade de Ciências Aplicadas de Frankfurt/M na Alemanha com especialização e experiência em Tecnologias para geração de Energia e Engenharia Ambiental. Larga experiência em Resíduos Sólidos com foco em Biodigestores Anaeróbios

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