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janeiro 7, 2014
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Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para Matadouros Frigoríficos

Como devem ser feitos os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para matadouros frigorificos? Como se tornar um especialista neste mercado quase inexplorado?

O que é um estabelecimento de produtos de origem animal? O que é um matadouro-frigorífico? Que tipos e quantidades de Resíduos Sólidos são gerados nos matadouros frigoríficos? Que outros tipos de resíduos sólidos são gerados? Como são gerados poluentes atmosféricos e odores em matadouros frigoríficos? Há perigo com gases perigosos na atividade de matadouros frigoríficos? Como devem ser feitos os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para Matadouros Frigoríficos? Como tratar os resíduos orgânicos de matadouros e frigoríficos? Como ser um especialista em Gerenciamento de resíduos Sólidos de matadouros frigoríficos?

Já imaginou a quantidade de resíduos orgânicos lançados nos rios e corpos d’água no Brasil? Imagine que o Brasil é o país do agronegócio e um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Da mesma forma, praticamente não existem soluções técnicas eficientes no país para o tratamento de resíduos orgânicos.

Mão de obra qualificada poderia tornar o agronegócio brasileiro mais sustentável. Porém, são raros os profissionais que conhecem as melhores formas de tratamento desses resíduos. Para aproveitar este mercado, você precisa ser um especialista. Para isso, aconselhamos três cursos: Diagnóstico dos Resíduos Sólidos – Gravimetria; Treinamento em Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Plano de Negócios para Biodigestores Automatizados.

O que é um estabelecimento de produtos de origem animal?

Os frigoríficos têm como principal característica o fato de realizarem o processamento e armazenamento de produtos de origem animal, gerando seus derivados e subprodutos. No caso dos matadouros frigoríficos, estes também englobam as funções dos abatedouros e também realizam abate dos animais, separando suas carnes e vísceras e assim fazem todo o processo desde o abate até o processamento.

Segundo a RIISPOA (Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no seu Art. 20, os estabelecimentos de produtos de origem animal são classificados da seguinte maneira:

  1. os de carnes e derivados;
  2. os de leite e derivados;
  3. os de pescado e derivados;
  4. os de ovos e derivados;
  5. os de mel e cera de abelhas e seus derivados;
  6. as casas atacadistas ou exportadoras de produtos de origem animal.

Parágrafo único – A simples designação “estabelecimento” abrange todos os tipos e modalidades de estabelecimentos previstos na classificação do presente Regulamento.

Professor Amarildo Ferrari

Você aprenderá sobre A Política Nacional dos Resíduos Sólidos, Elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), Acondicionamento e tipos de Resíduos, Tratamento e disposição final dos Resíduos, A logística reversa e a Situação dos resíduos sólidos no Brasil

Ainda segundo a RIISPOA no Art. 21, os estabelecimentos de carnes e derivados são classificados em

  1. matadouros-frigoríficos;
  2. matadouros;
  3. matadouros de pequenos e médios animais;
  4. charqueadas;
  5. fábricas de conservas;
  6. fábricas de produtos suínos;
  7. fábricas de produtos gordurosos;
  8. entrepostos de carnes e derivados;
  9. fábricas de produtos não comestíveis;
  10. matadouros de aves e coelhos;
  11. entrepostos-frigoríficos.

O que é um matadouro-frigorífico?

A definição oficial de matadouros-frigoríficos é dada pela RIISPOA como mostrado abaixo:

Art. 21 Inciso § 1º – Entende-se por “matadouro-frigorífico” o estabelecimento dotado de instalações completas e equipamentos adequados para o abate, manipulação, elaboração, preparo e conservação das espécies de açougue sob variadas formas, com aproveitamento completo, racional e perfeito, de subprodutos não comestíveis; possuirá instalações de frio industrial.

Como conseqüência das operações de abate para obtenção de carne e derivados, originam-se vários subprodutos e/ou resíduos que devem sofrer processamentos específicos: couros, sangue, ossos, gorduras, aparas de carne, tripas, animais ou suas partes condenadas pela inspeção sanitária, etc.

Normalmente, a finalidade do processamento e/ou da destinação dos resíduos ou dos subprodutos do abate é função de características locais ou regionais, como a existência ou a situação de mercado para os vários produtos resultantes e de logística adequada entre as operações. Por exemplo, o sangue pode ser vendido para processamento, visando a separação e uso ou comercialização de seus componentes (plasma, albumina, fibrina, etc), mas também pode ser enviado para graxarias, para produção de farinha de sangue, usada normalmente na preparação de rações animais. De qualquer forma, processamentos e destinações adequadas devem ser dadas a todos os subprodutos e resíduos do abate, em atendimento às leis e normas vigentes, sanitárias e ambientais.

Algumas destas operações podem ser realizadas pelos próprios abatedouros ou frigoríficos, mas também podem ser executadas por terceiros.

Que tipos e quantidades de Resíduos Sólidos são gerados nos matadouros frigoríficos?

Muitos resíduos de abatedouros podem causar problemas ambientais graves se não forem gerenciados adequadamente. A maioria é altamente putrescível e, por exemplo, pode causar odores se não processada rapidamente nas graxarias anexas ou removida adequadamente das fontes geradoras no prazo máximo de um dia, para processamento adequado por terceiros.

Animais mortos e carcaças condenadas devem ser dispostos ou tratados de forma a garantir a destruição de todos os organismos patogênicos. Todos os materiais ou partes dos animais que possam conter ou ter contato com partes condenadas pela inspeção sanitária são consideradas de alto risco e devem ser processadas em graxarias inspecionadas e autorizadas, para garantia dos processos que levam à esterilização destes materiais.

O gerenciamento destes resíduos pode ser crítico, principalmente para pequenas empresas, que carecem de recursos e onde o processamento interno dos resíduos, não raro, é inviável.

Algumas quantidades médias de resíduos gerados estão na tabela abaixo:

Quantidades médias dos principais resíduos gerados em abatedouros (bovinos e suínos) PACHECO 2006

Que outros tipos de resíduos sólidos são gerados?

Alguns resíduos sólidos gerados nas operações auxiliares e de utilidades também precisam ser considerados e adequadamente gerenciados para minimizar seus possíveis impactos ambientais. Pode-se destacar os seguintes resíduos:

  • Resíduos da estação de tratamento de água: lodos, material retido em filtros, eventuais materiais filtrantes e resinas de troca iônica;
  • Resíduos da estação de tratamento de efluentes líquidos: material retido por gradeamento e peneiramento, material flotado (gorduras/escumas), material sedimentado – lodos diversos;
  • Cinzas das caldeiras;
  • Resíduos de manutenção: solventes e óleos lubrificantes usados, resíduos de tintas, metais e sucatas metálicas (limpas e contaminadas com solventes/óleos/graxas/tintas), materiais impregnados com solventes/óleos/graxas/tintas (ex.:estopas, panos, papéis, etc);
  • Outros: embalagens, insumos e produtos danificados ou rejeitados e pallets, das áreas de almoxarifado e expedição.

No caso de graxarias anexas aos abatedouros ou matadouros, estas praticamente não geram resíduos sólidos em seus processos produtivos – eventuais perdas residuais são reincorporadas no processo (reúso interno); algumas embalagens de produtos da graxaria e de insumos auxiliares podem ser considerados como resíduos sólidos; quanto aos resíduos de operações auxiliares e de utilidades, citados acima, as graxarias anexas normalmente compartilham destas mesmas operações instaladas para os abatedouros, dando apenas sua parcela de contribuição na geração de resíduos destas unidades.

O manejo, armazenamento e a disposição inadequados, tanto dos resíduos principais da produção, quanto destes resíduos secundários – por exemplo, em áreas descobertas e/ou sobre o solo sem proteção e/ou sem dispositivos de contenção de líquidos – podem contaminar o solo e as águas superficiais e subterrâneas, tornando-os impróprios para qualquer uso, bem como gerar problemas de saúde pública.

Como são gerados poluentes atmosféricos e odores em matadouros frigoríficos?

Nos abatedouros, em geral os poluentes atmosféricos são gerados pela queima de combustíveis nas caldeiras que produzem vapor para os processos produtivos – seja para as operações de abate ou para as graxarias, caso estejam anexas aos abatedouros. Neste caso, óxidos de enxofre e de nitrogênio e material particulado são os principais poluentes a considerar.

Há também o potencial de liberação de gases refrigerantes dos sistemas de refrigeração que servem as câmaras frias, devido a perdas fugitivas ou acidentais. Gases à base de CFCs (cloro-fluor-carbonos) são prejudiciais à camada de ozônio da atmosfera.

Da mesma forma, o manuseio incorreto dos vários resíduos sólidos gerados (materiais para graxarias, esterco, conteúdos estomacais e intestinais, lodos das estações de tratamento de efluentes, etc.) e do sangue, o que normalmente envolve acondicionamento inadequado e/ou tempo excessivo entre sua geração e sua destinação ou processamento, acarreta a formação e emissão de várias substâncias odoríferas.

Particularmente nas operações de eventuais graxarias anexas, além do manuseio e eventual armazenagem da matéria-prima, o próprio processo de cozimento ou digestão do material é uma fonte significativa de substâncias responsáveis por odor (COVs, etc.).

Há perigo com gases perigosos na atividade de matadouros frigoríficos?

Um problema que pode ser muito sério para os abatedouros é o odor ou a emissão de substâncias odoríferas – gás sulfídrico (H2S) e várias outras substâncias contendo enxofre (como as mercaptanas), bem como diversos compostos orgânicos voláteis (COVs). Uma vez que as operações destas indústrias envolvem a geração e o manuseio de materiais altamente putrescíveis, a origem destas substâncias está principalmente no gerenciamento inadequado destes materiais, incluindo o dos efluentes líquidos industriais. Por exemplo, sistemas de tratamento de efluentes inadequados e/ou com dimensionamento incompatível com as cargas a serem tratadas e/ou mal operados (com choques de carga, operação deficiente, etc.), certamente gerarão substâncias odoríferas em quantidades muito superiores àquelas já geradas em condições controladas e adequadas de operação.

Como devem ser feitos os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para Matadouros Frigoríficos?

Os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para matadouros, frigoríficos precisam ser elaborados para milhares de empreendimentos em todo o Brasil para demonstrar como os mesmos pretendem dar uma destinação ambientalmente adequada aos seus resíduos. Os gestores públicos municipais, considerando as legislações federais e estaduais, são obrigados a definirem de que forma esse processo deve ser feito. Normalmente a cobrança pelos PGRS é feita em decorrência da elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), porém, a ausência dos não exime as empresas de elaborarem seus PGRS, pelo contrário, segundo a Lei os responsáveis pela elaboração desses planos podem até mesmo ser presos.

Na atividade principal, dividindo a origem dos resíduos de matadouros frigoríficos em linha verde (resíduos resultantes dos dejetos e do conteúdo estomacal dos animais) e linha vermelha (resíduos derivados do sangue) e levando em consideração que todas as outras partes dos animais hoje em dia são naturalmente aproveitadas para a fabricação de vários produtos, o biodigestor se apresenta no Brasil como uma solução totalmente eficiente tanto para o tratamento da linha verde como da vermelha, caso não se consiga utilizar o sangue para produzir nenhum outro produto.

Resíduos gerados por atividades secundárias devem obedecer a ordem de prioridade na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos.

Como tratar os resíduos orgânicos de matadouros e frigoríficos?

Os resíduos orgânicos de frigoríficos são conhecidos por ter uma altíssima carga orgânica. consequentemente, uma alta demanda química  e biológica de oxigênio. Por si só, estes resíduos tendem a se degradar para no final se neutralizarem. Esse processo pode ser acelerado em usinas de biogás, comumente chamados de biodigestores.

Entre as grandes vantagens da implantação de biodigestores como Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Orgânicos resultante de matadouros e frigoríficos podemos citar:

  • Tratamento de resíduos ideal e indicado pelo Ministério do Meio Ambiente brasileiro;
  • Capacidade de tratar os resíduos da linha verde e vermelha;
  • Geração de energia térmica para a produção de vapor, com diversas utilidades dentro do processo de produção e limpeza desses empreendimentos;
  • Geração de energia elétrica que pode cobrir toda a demanda de energia do empreendimento;
  • Alta viabilidade econômica;
  • Entre outras.

Como ser um especialista em Gerenciamento de resíduos Sólidos de matadouros frigoríficos?

Em todo o Brasil, os problemas causados pela poluição de rios e corpos d’água devido a resíduos de frigoríficos são alarmantes. Muitas empresas acabam sendo drasticamente multadas e acabam fechando. Seu trabalho com consultor poderia resolver isso.

Para estar bem preparado para este mercado, aconselhamos três cursos profissionalizantes nesta sequência:

Fontes:

  1. REGULAMENTO DA INSPEÇÃO INDUSTRIAL E SANITÁRIA DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL – RIISPOA
  2. Frigoríficos – Industrialização da Carne Bovina e Suína – GUIA TÉCNICO AMBIENTAL DE FRIGORÍFICOS – INDUSTRIALIZAÇÃO DE CARNE (BOVINA E SUÍNA)-série P+l – CETESB
  3. Abate Bovinos e de Suínos – GUIA TÉCNICO AMBIENTAL DE ABATE (BOVINO E SUÍNO) – SÉRIE P+L – CETESB e FIESP

 

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About gleysson

gleysson

Sou especialista em transformar problemas ambientais em negócios sustentáveis. Formado em Dip. Ing. Verfahrenstechnik (Eng. Química) pela Universidade de Ciências Aplicadas de Frankfurt/M na Alemanha com especialização e experiência em Tecnologias para geração de Energia e Engenharia Ambiental. Larga experiência em Resíduos Sólidos com foco em Biodigestores Anaeróbios

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