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outubro 9, 2013
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Prefeitura de Stuttgart na Alemanha pode pagar multa de € 990.000/ano para a usina de queima de lixo

Para cumprir contrato e continuar perseguindo as metas de sustentabilidade, a prefeitura de Stuttgart na Alemanha precisa agora pagar multa a usina de queima de lixo da cidade.

A situação foi prevista por algumas pessoas quando o contrato com a usina foi assinado na década de 60. No contrato da cidade com a usina, a prefeitura teria que encaminhar pelo menos 225.000 toneladas de lixo deveriam ser entregues a usina por ano e pagaria um preço mínimo de € 141,20 por tonelada para que a usina faça o tratamento térmico dos resíduos.

Com a aplicação de novas políticas com fortes princípios de sustentabilidade aliado ao aprimoramento de tecnologias de reciclagem, campanhas de redução na geração de lixo e um coleta seletiva cada vez mais eficaz, a população da cidade conseguiu diminuir drasticamente a quantidade de lixo que é então destinado a usina de queima de lixo. Para complicar mais a situação, a reciclagem se tornou um negócio muito lucrativo na Alemanha em geral, de tal forma que ao agregar valor aos resíduos, a população prefere destina-los à indústria de reciclagem do que para a usina de lixo. Até mesmo para a prefeitura é hoje mais barato mandar os resíduos por esse caminho.

Para não quebrar o contrato com a usina, a prefeitura precisa pagar anualmente até € 990.000 se não conseguir garantir um mínimo de pelo menos 60.000 toneladas de resíduos à usina de queima.

Segundo o prefeito da cidade, o Sr Dirk Thürnau “A Prefeitura de Stuttgart na Alemanha pode pagar multa de € 990.000/ano para a usina de queima de lixo caso não consiga fornecer a quantidade mínima de lixo anual acertada em contrato com a usina de queima de lixo da cidade”. Para evitar pagar esse valor, a cidade passou a comprar lixo de empresas a um preço de € 95,20 por tonelada para fornecer então para a usina de queima de lixo e dessa forma consegue reduzir sua multa para até € 320.000 por ano. Stuttgart vive o incrível dilema de ter que comprar lixo para economizar dinheiro.

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Apesar de já dramática, a situação na cidade tende a piorar. É que na Alemanha o tratamento de lixo orgânico através de compostagem ou biodigestor é cada vez mais obrigatório. O prefeito tem prazo para incentivar a instalação desse tipo de tecnologia na cidade. Com isso, a quantidade de lixo que poderia ser destinado à usina de lixo cai ainda mais para os incríveis 15.000 toneladas de lixo por ano. A esperança do prefeito atual é que com uma diferença tão gigantesca entre a quantidade a ser fornecida estabelecida por contrato e a quantidade que a cidade consegue gerar, talvez o governo possa ajudar na reformulação de um novo contrato com a usina de queima de lixo.

Por outro lado, a usina de queima de lixo precisa importar cada vez mais lixo de outros países da Europa para poder se manter em operação, já que uma usina termelétrica é construída e dimensionada para operar uma determinada quantidade de lixo e não pode sofrer variações de potência.

Quando a usina foi construída, algumas pessoas previam que essa situação poderia acontecer, ou seja, com o aplicação dos princípio de sustentabilidade e proteção ambiental, cada vez mais a cidade iria produzir menos lixo para ser queimado. A maior parte fatalmente seguiria para a reciclagem e retornaria novamente ao sistema de produção, economizando muito dinheiro ao país por não precisar mais importar tanta matéria prima. Na época, a opinião desses especialistas foram ignoradas e hoje a cidade literalmente “PAGA O PRECO” por isso.

No Brasil a situação promete ser tensa. É que a Política Nacional de Resíduos Sólidos também esta baseada na experiência da Alemanha e ao adotar idêntica ordem de prioridade no gerenciamento de resíduos, ou seja, NÃO GERAÇÃO, REDUÇÃO, REUTILIZAÇÃO, RECICLAGEM, TRATAMENTO E DISPOSIÇÃOFINAL DOS RESÍDUOS, o país tende a seguir as tecnologias modernas existentes hoje na Alemanha. Mesmo sabendo disso, gestores de cidades como São Bernardo do Campo em São Paulo, estão trabalhando na construção de uma usina de queima de lixo com dimensionada para uma população de 1.000.000 (um milhão) de habitantes, embora na cidade só residam 770.000. Dessa forma, o projeto da usina de queima de lixo de São Bernardo já nasce com a grande dificuldade de conseguir mais resíduos do que a cidade é capaz de gerar e isso tudo a um preço maior do que uma usina de queima de lixo custaria na Europa, incríveis R$ 700.000.

“Enquanto a população seguir calada, os abusos continuam”

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About gleysson

gleysson

Sou especialista em transformar problemas ambientais em negócios sustentáveis. Formado em Dip. Ing. Verfahrenstechnik (Eng. Química) pela Universidade de Ciências Aplicadas de Frankfurt/M na Alemanha com especialização e experiência em Tecnologias para geração de Energia e Engenharia Ambiental. Larga experiência em Resíduos Sólidos com foco em Biodigestores Anaeróbios

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