Projeto prevê novo destino para lixo eletrônico em Belém do Pará

Celulares, tablets, computadores, impressoras, tvs. A vida moderna tem cada vez mais tecnologia. Mas, o que fazer quando esses produtos não servem mais ou quando surgem outros mais eficientes? Um estudo feito pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ao considerar-se os eletrônicos de grande e pequeno porte, constatou que o Brasil já estaria gerando cerca de um milhão de toneladas anuais de lixo.E os números não param por aí. Uma estimativa da ONU apontou que o Brasileiro gera, por ano, pelo menos, meio quilo de lixo tecnológico. E qual o destino final de tudo isso? Bem, muitas vezes, é o lixo comum.

Mas enquanto esses resíduos vão para o lixo, eles poderiam ir para o bolso. É assim que pensa a universitária Edkeyse Gonçalves, do curso de engenharia ambiental da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Com a ajuda do analista de sistemas Elton Gonçalves eles desenvolveram um projeto de Web Resíduo Tecnológico. O objetivo é reaproveitar o lixo eletrônico, fortalecer cooperativas de catadores e fazer tudo isso usando uma ferramenta: a internet.

“A intenção é colaborar com o governo ou prefeituras sugerindo como proposta o projeto WRT, que atua no melhoramento da logística reversa de resíduo tecnológico, que nada mais é do que o retorno de produtos, após uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza”, diz a universitária.

O escolhido para fazer parte da pesquisa foi o bairro da Terra Firme na periferia de Belém. A área tem em torno de 60 mil habitantes. Nesse montante, muitas famílias sobrevivem da coleta de lixo. Um desses locais é a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis, a CONCAVES, que reúne 40 cooperados. Com o sistema desenvolvido pela universitária, esse resíduo seria coletado, passaria por uma triagem e seria classificado e identificado de acordo com o tipo de produto. “A intenção é extrair todo o potencial econômico do resíduo para que as peças sejam testadas e reaproveitadas, caso ainda sejam úteis para comercialização no mercado de reciclagem dentro do sistema WRT”, diz a universitária.

O Sistema WRT

Depois de todo esse processo, o trabalho passa a ser virtual. O material será cadastrado em um sistema, o WRT, que funcionará como vitrine para que as empresas especializadas em coleta de resíduo tecnológico possam comprar o material coletado pelas cooperativas. “A idéia é disponibilizar o produto através de duas modalidades, o bazar e o leilão online. No bazar seriam vendidos os produtos que ainda funcionam e podem ser reaproveitados, sendo vendidos a baixo custo. Já no leilão online a venda seria apenas da sucata, produtos que não servem mais, e que as empresas costumam adquirir por tonelada, devido os elementos, como prata, chumbo e ouro, presentes nesses resíduos”, diz o analista de sistemas Elton Gonçalves.

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A proposta do projeto também inclui capacitações com os trabalhadores da cooperativa. Os cursos abrangeriam temas que vão desde a diferença entre o lixo eletrônico e o lixo comum até a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Com as capacitações o objetivo é que a comunidade se autossustente e possam ingressar em cursos técnicos voltados à área de informação e meio ambiente. “O projeto aproxima a sociedade da universidade ao pensar uma ação que alie viabilidade econômica a um ambiente socialmente justo e ambientalmente correto, que são os pilares do desenvolvimento sustentável. Na cooperativa os trabalhadores conseguem uma renda de cerca de um salário mínimo mensal. Com o projeto essa renda poderia ter uma elevação de 60%, além de atrair mais cooperado interessados no trabalho”, diz a professora Mônica Nascimento, que orientou a pesquisa, justamente com a professora Paula Pinheiro, engenheira ambiental.

Segundo a professora Paula, o projeto está de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída pela lei Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. “A lei prevê a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a logística reversa e o acordo setorial. O lixo eletrônico é altamente tóxico e poluente, e causa grande impacto ao meio ambiente”, diz a professora. O trabalho ainda não tem financiamento de nenhum órgão, mas já recebeu o primeiro lugar em um Prêmio de Empreendedorismo Sustentável, no qual concorreram cerca de 180 projetos de alunos das 09 universidades da região norte. Depois de ganhar o prêmio, os sonhos
também se renovaram. “O objetivo agora é concorrer em outros editais que ajudem a implantar o projeto, ou até mesmo levar essa proposta a prefeitura, já que a causa é uma responsabilidade de todos e de beneficio para população e ao meio ambiente”, diz a universitária.

A Professora Paula Pinheiro salienta ainda a importância deste tipo de projetos para alunos de Engenharia Ambiental, já que estes são os profissionais que trabalham, projetam, criam ações que cause o mínimo impacto ao meio ambiente. “Ideias como estas são sempre bem vinda, quando sou procurada por alunos com alguma iniciativa na área de resíduos sólidos, sempre ajudo na orientação e condução, pois sei muito bem da importância desses tipos de projetos para a sociedade”.

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