Resíduos contaminados: canal de transmissão do covid19

Quais os riscos de transmissão do covid19 através dos resíduos contaminados? Qual o tempo de vida do novo coronavírus nos resíduos sólidos? Porque devemos ter cuidados especiais ao descartar nosso lixo? Como contribuir para conter a propagação do vírus entre garis e catadores?

Em meio à pandemia do covid-19, muito se fala da importância de higienizar itens antes de utilizá-los. No entanto, não  se comenta sobre o que fazer com os resíduos sólidos na hora de descartá-los.

A falta de atenção com os resíduos contaminados que vão para o lixo pode ser uma passarela imensa de transmissão do coronavírus.  Considerando que garis e catadores vão manusear de uma forma ou de outra os resíduos domésticos, é preciso uma atenção especial na hora do descarte.

Vamos listar aqui, algumas formas de evitar o risco para os trabalhadores do setor de resíduos. Afinal, o serviço de coleta e reciclagem é essencial para evitar o desperdício e a proliferação de doenças.

Quais os riscos de transmissão do covid19 através do

resíduo contaminado?

O risco é iminente, sobretudo no caso dos rejeitos produzidos por quem está doente em isolamento domiciliar. Dessa forma, a população mais vulnerável a esse meio de contágio são os trabalhadores da limpeza urbana e catadores de recicláveis.

Isso porque, já se sabe da capacidade do vírus de sobreviver por horas ou dias em certas substâncias. Na hora que eu descarto um material que tem resquícios de coronavírus, ele vai continuar com um potencial de contaminar terceiros.

Cuidar da higienização de lixo e sinalizar nos sacos e sacolas se oriundos de pessoas em isolamento por conta do covid19.

 

Atualmente, novos estudos têm mostrado que o  tempo de vida do vírus é ainda maior do que se pensava. Inclusive, não se tem certeza do impacto da temperatura tropical no coronavírus.

Antes se pensava que o vírus  não resistia a temperaturas acima de 26º, 27º C. Hoje este conceito parece mito, quando observamos  os quadros alarmantes de contágio em regiões mais quentes.

De acordo com pesquisas realizadas por diversos institutos e entidades, concluiu-se que o covid19 tem vida longa em vários materiais recicláveis.

Qual o tempo de vida do novo coronavírus nos resíduos sólidos?

Hoje, passado um ano de pandemia no Brasil, cientistas e infectologistas conseguiram pesquisar alguns fatores no comportamento do covid19. Entre as descobertas, encontramos a perspectiva de vida em alguns materiais que fatalmente passam pelas mãos de catadores e recicladores. 

Independente de trabalhar  ou não no setor de resíduos, estamos todos direta ou indiretamente, expostos ao risco de contaminação. Portanto, quanto mais informação sobre o COVID19, melhor. 

Segundo levantamentos realizados através de pesquisas, hoje sabe-se que o vírus tem vida longa em diversos tipos de resíduos. Acompanhe na lista abaixo o que descobriram os pesquisadores.

Tempo de vida do coronavírus em materiais recicláveis:

  • cobre mais de 4 horas,
  • papelão pode chegar a 5 dias,
  • plástico até 3 dias,
  • aço até 3 dias,
  • madeira 4 dias.
  • vidro 5 dias.

De acordo com a bióloga e professora de Gestão Ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Soraya El-Deir, pesquisas apontam que: 

A depender das características de umidade e temperatura, em alguns materiais a vida do vírus pode chegar até 9 dias”. Afirma a bióloga.

Porque devemos ter cuidados especiais ao descartar nosso lixo?

O perigo sem dúvida é imenso para catadores e garis em geral. Porém para os catadores independentes, que não participam de cooperativas, é maior ainda.

O risco de coletar materiais é imenso em tempos de covid.

 

Algumas cooperativas, conseguiram por meio de doações, ou compra direta, adquirir EPIS para seus associados. O uso de máscaras, luvas e aventais durante o manuseio dos recicláveis, reduz muito o risco de contrair o vírus. 

Contudo, os catadores independentes em sua maioria, não têm condições de adquirir os equipamentos e garantir sua segurança diante do COVID19. Assim, a proliferação do vírus, ganha dimensão ainda maior.

Isso porque a maioria dos catadores já têm alguma comorbidade e trabalham em alto risco de insalubridade. Sem falar que grande parte desses trabalhadores, vivem em casas suburbanas onde dividem espaço com muitas pessoas sem condições de distanciamento.  

Embora seja uma fatalidade, a pandemia veio também para nos ensinar sobre senso de coletividade. Se queremos isolar este vírus e sair dessa situação caótica, não podemos mais cuidar só do nosso umbigo.

Neste momento, precisamos pensar em todos, pois cada contaminado transmite para mais de 100 pessoas! É urgente cuidar de tudo e de todos. E os catadores não podem mais ser invisíveis ao governo e à sociedade.

Como contribuir para conter a propagação do vírus entre garis e catadores? 

Para que possamos fazer a nossa parte quanto cidadãos responsáveis e conscientes, aqui vão algumas dicas:

  • Separe o lixo domiciliar, no caso de vidros, plástico, alumínio, embalagens tetrapak, lave-os ou passe álcool ou água sanitária antes de acondicioná-los nos sacos ou sacolas. 
  • Se houver alguém em sua casa em situação de isolamento por conta do COVID19, ou com suspeita, separe uma lixeira com tampa no cômodo onde se encontra o isolado; coloque sacos duplos na hora de descartar e sinalize que se trata de material com resíduos contaminados.
  • mesmo com todas as medidas citadas, higienize os sacos ou sacolas com lixo, antes de colocar na rua. 
  • Doe máscaras, luvas e material de higiene para os catadores. 

Colocar os resíduos sólidos  em “quarentena”, também ajuda a diminuir o risco de propagação do vírus. Para realizar o processo da “quarentena dos resíduos” basta colocar os sacos contendo o material sob o sol por uma semana para que o calor extremo mate o vírus. 

O sol tem capacidade de dificultar a persistência do vírus em materiais inertes. É um processo muito simples. Com essas ações, reduzimos consideravelmente o risco de contaminar alguém com o lixo das nossas casas. 

Atualmente, um ano e dois meses depois, centenas de milhares de mortes por covid19 compõem o quadro da pandemia no Brasil. Há quem afirme que o vírus vive em superfícies diversas, inclusive de resíduos sólidos, porém se encontra inativo e sem risco de infectar. 

Mas como ainda há muitos caminhos a serem percorridos até a certeza do que é ou não verdade sobre este vírus mortal,  acreditamos que prevenir é sempre melhor que remediar. Afinal, muitas são as afirmações sem profundidade científica que propõe inclusive, tratamento preventivo, “anticovid” sem o menor embasamento científico. Desrespeitando muitas vezes, até protocolos recomendações da OMS.

Quando digo “risco de contaminar alguém”, falo de milhares de catadores que vivem exclusivamente disso, que estão fora de qualquer rede de seguridade social. Ou seja, não têm outro meio de conseguir renda. Sejamos conscientes e solidários com esta categoria que presta um serviço valioso para a sociedade e para o meio ambiente.

 

 

Cláuvia Figueiroa
jornalismo Virapuru

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