SISNAMA – SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE NO BRASIL

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O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) foi estabelecido no Brasil como um instrumento crucial para a gestão ambiental, em resposta a uma crescente preocupação com as questões ambientais que emergiram nas últimas décadas. Antes de sua criação, o Brasil enfrentava um cenário de desafios ambientais significativos, incluindo o desmatamento, a poluição, a perda de biodiversidade e os impactos do desenvolvimento urbano e industrial descontrolado. Esses problemas eram exacerbados pela falta de uma estrutura organizada e coordenada para o manejo ambiental. A ausência de uma política ambiental integrada e a fragmentação das responsabilidades entre diferentes entidades governamentais resultavam em esforços ineficazes, duplicação de funções e conflitos de competência, dificultando a implementação efetiva de políticas de conservação e uso sustentável dos recursos naturais.

O SISNAMA foi criado para superar essas lacunas, estabelecendo um sistema coeso que integra órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. Essa estrutura busca assegurar a efetiva aplicação da política ambiental em todo o território nacional, promovendo a gestão ambiental compartilhada e descentralizada. O sistema tem o objetivo de coordenar as ações governamentais na área ambiental, estabelecendo diretrizes e normas para a conservação, a preservação e o uso sustentável dos recursos naturais. Com isso, visa equilibrar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental, garantindo um futuro sustentável para as gerações presentes e futuras.

No entanto, a implementação do SISNAMA enfrenta desafios, incluindo a necessidade de maior integração e cooperação entre os diversos níveis de governo e a sociedade civil. Além disso, é essencial que haja investimentos adequados em recursos humanos e tecnológicos para fortalecer as capacidades dos órgãos ambientais. A conscientização e a educação ambiental continuam sendo fundamentais para o sucesso do sistema, garantindo o envolvimento e a participação ativa da população na gestão ambiental. Apesar desses desafios, o SISNAMA permanece como uma ferramenta vital para a promoção do desenvolvimento sustentável no Brasil, desempenhando um papel essencial na proteção do meio ambiente e na promoção da qualidade de vida.

A motivação para criação do SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente no Brasil

A constituição federal diz que o meio ambiente é um bem de uso comum do povo, necessário para a qualidade de vida e afirma que sua preservação para as presentes e futuras gerações é um dever de todos: poder público e coletividade. Para distribuir as responsabilidades entre municípios, estados e a União, foi instituído o SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente no Brasil, um modelo descentralizado de gestão ambiental, criando uma rede articulada de organizações nos diferentes âmbitos da federação.

SISNAMA. Mudanças climáticas são alterações globais que ameaçam ecossistemas e sociedades. Emissões excessivas de gases estufa, como CO2, aquecem o planeta, causando eventos extremos, elevação do mar e perda de biodiversidade. Mitigação e adaptação são essenciais para um futuro sustentável.
Mudanças climáticas resultam do aumento de gases estufa, causando aquecimento global. Eventos climáticos extremos, como furacões, são mais frequentes e intensos. Derretimento de gelo e elevação do nível do mar ameaçam comunidades costeiras. Ação global é crucial para conter essa crise.

No SISNAMA, os órgãos federais têm a função de coordenar e emitir normas gerais para a aplicação da legislação ambiental em todo o país. também são responsáveis, dentre outras atividades, pela troca de informações, a formação de consciência ambiental, a fiscalização e o licenciamento ambiental de atividades cujos impactos afetem dois ou mais estados.

Aos órgãos estaduais cabem as mesmas atribuições, só que no âmbito do estado: criação de leis e normas complementares (podendo ser mais restritivas) que as existentes em nível federal, estímulo ao crescimento da consciência ambiental, fiscalização e licenciamento de obras que possam causar impacto em dois ou mais municípios. O modelo se repete para os órgãos municipais.

Qual a composição do SISNAMA

O modelo de gestão definido pela política Nacional de meio Ambiente baseia-se no princípio do compartilhamento e da descentralização das responsabilidades pela proteção ambiental entre os entes federados e com os diversos setores da sociedade.

De acordo com a Lei nº 6.938/81, que instituiu a Política Nacional de Meio Ambiente, o SISNAMA é composto de:

  • Conselho de Governo – Órgão superior do sistema, reúne todos os ministérios e a Casa Civil da Presidência da República na função de formular a política nacional de desenvolvimento do País, levando em conta as diretrizes para o meio ambiente.
  • Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) – é o órgão consultivo e deliberativo, formado por representantes dos diferentes setores do governo (em âmbitos federal, estadual e municipal), do setor produtivo e da sociedade civil. Assessora o Conselho de Governo e tem a função de deliberar sobre normas e padrões ambientais.
  • Ministério do Meio Ambiente (MMA) – órgão central, com a função de planejar, supervisionar e controlar as ações referentes ao meio ambiente em âmbito nacional.
  • Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) – encarrega-se de executar e fazer executar as políticas e as diretrizes nacionais para o meio ambiente. É o órgão executor.
  • Órgãos Seccionais, entidades estaduais responsáveis pela execução ambiental nos estados, ou seja, as secretarias estaduais de meio ambiente, os institutos criados para defesa ambiental.
  • Órgãos locais ou entidades municipais responsáveis pelo controle e fiscalização ambiental nos municípios.

Apesar de ter sido concebido como um sistema, o SISNAMA começou a se estruturar ainda durante os governos militares em um ambiente institucional fortemente marcado pela centralização. Havia,  naquele momento, grandes dificuldades para se delegar poderes aos estados e municípios.

SISNAMA. Os catadores são pilares da Política Nacional de Resíduos Sólidos, valorizando sua atuação na coleta seletiva e reciclagem. A inclusão promove justiça social e ambiental, reduzindo desperdício e impulsionando a economia circular.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos reconhece catadores como agentes-chave na gestão sustentável. Cooperativas e associações fortalecem sua participação, gerando empregos, reduzindo impactos ambientais e promovendo inclusão social.

A primeira fase da implementação do sistema (décadas de 1980 e 1990) caracterizou-se pela  criação dos órgãos ambientais, principalmente nos âmbitos federal e estadual. Até recentemente,  porém, o que se observava na prática era o surgimento de órgãos ambientais sem vínculos entre  si, desarticulados e fortemente marcados pela competição, especialmente no estabelecimento de  competências para o licenciamento e a fiscalização.

A autonomia do sistema

A Constituição Federal de 1988, fortemente marcada pelos princípios da descentralização, trouxe para os municípios maior autonomia na definição de suas prioridades ambientais , respeitando as normas gerais editadas pela União e pelos estados. Eis alguns princípios estabelecidos pela Constituição:

  • Subsidiariedade: tudo o que puder ser realizado pelo nível local, com competência e economia, não deve ser atribuído ao nível estadual e federal. Isso permite encontrar soluções para os problemas o mais próximo possível de onde são gerados.
  • Autonomia: a liberdade e o discernimento individual ou local são valorizados, garantindo-se, dessa maneira, o mínimo de dependência para a realização de ações de interesse local.
  • Responsabilidade compartilhada: a missão de zelar pelos bens comuns cabe a todos e a cada um, de acordo com as suas competências e atribuições.
  • Cooperação ou solidariedade: independentemente da política partidária, a cooperação entre os distintos níveis de governo é estimulada, pois isso otimiza custos e agiliza processos.

Em âmbito federal, alguns instrumentos de gestão ambiental previstos pelo SISNAMA e fundamentais para o funcionamento efetivo do sistema começaram a ser implementados a partir da década de 1990:

  • Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), responsável por captar recursos e financiar as ações projetadas para a área ambiental em âmbito nacional;
  • Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente (SINIMA), criado para disponibilizar informações e permitir o diálogo, de forma descentralizada, entre as bases de dados geradas pelas entidades que compõem o SISNAMA;
  • Conferência Nacional do Meio Ambiente, instrumento de consulta, proposição e avaliação da política ambiental brasileira, realizada bienalmente;
  • Agenda Nacional do Meio Ambiente, em que constam as prioridades eleitas em âmbito nacional para a melhoria da qualidade ambiental, induzindo ao estabelecimento de prioridades para todo o sistema;
  • Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, instrumento de monitoria e acompanhamento da qualidade ambiental de todo o País.

Nos últimos anos, o Ministério do Meio Ambiente tem como uma de suas diretrizes o fortalecimento do SISNAMA. Esse trabalho tem-se pautado, prioritariamente, nas seguintes frentes:

  • incentivo à estruturação de órgãos ambientais nos municípios, com a descentralização da gestão ambiental;
  • aumento da articulação e do diálogo na área ambiental entre as três esferas de governo, com a criação das Comissões Tripartites;
  • estímulo à criação de redes de conselhos, órgãos e fundos de meio ambiente em âmbitos estaduais, regionais e nacional;
  • esforço para realizar uma política ambiental integrada, no sentido de incluir a dimensão ambiental nas políticas de governo.

O SISNAMA nos estados

No nível estadual, a estrutura da gestão ambiental repete o modelo adotado para o Governo Federal. Cada estado define a estrutura que considera mais adequada. O órgão central adquire o formato de secretaria, departamento ou fundação de meio ambiente. Este pode ser exclusivo ou compartilhado com outras áreas. Essas estruturas têm como atribuição formular e coordenar a política estadual de meio ambiente, bem como articular as políticas de gestão de recursos naturais.

SISNAMA. O mercado de crédito de carbono combate a poluição industrial ao incentivar empresas a reduzirem emissões. Créditos gerados estimulam práticas limpas e impulsionam ações ambientais.
Poluição industrial é combatida no mercado de crédito de carbono, onde empresas podem compensar emissões. Essa abordagem alinha lucro com preservação do ambiente.

Para dar suporte às ações sobre o meio ambiente no âmbito estadual existem órgãos técnicos executivos, com atribuição de executar a política ambiental, monitorar a qualidade do meio ambiente, realizar educação ambiental e atuar em pesquisa.

Além desses órgãos, existem os conselhos estaduais de meio ambiente, que preferencialmente devem ser órgãos normativos, paritários, de caráter consultivo e deliberativo. Em geral, os conselhos estão vinculados aos órgãos centrais de meio ambiente do estado, os quais lhes fornecem suporte material para que funcionem adequadamente.

Os conselhos, em geral, possuem câmaras técnicas especializadas em temas como atividades industriais, infraestrutura, mineração, entre outros. Sugerem políticas para esses setores e atuam na elaboração de normas técnicas para a proteção ambiental.

A maioria dos estados possui também fundos de meio ambiente, com a finalidade de reunir recursos para financiar as ações. O fato de se estruturarem fortalece a decisão de destinar esses recursos exclusivamente às ações de conservação ambiental.

DICA: Todo estado tem a sua própria estrutura para a área de meio ambiente. Descubra como funciona e quais são os órgãos que compõem o sistema no seu estado. Uma boa opção para isso é programar uma excursão de gestores do seu município à capital, agendando previamente visitas de intercâmbio aos órgãos componentes do Sistema Estadual de Meio Ambiente.

O SISNAMA nos Municípios

Ao planejar o seu desenvolvimento segundo os princípios da sustentabilidade, os municípios devem organizar a sua área ambiental de forma integrada com as demais secretarias e órgãos existentes. Afinal, a questão ambiental deve se tornar um elemento estruturador de todas as suas políticas.

SISNAMA. Cidades e as mudanças do clima. A gestão integrada dos resíduos sólidos de Salvador-BA apresenta desafios no icônico Pelourinho. Como importante ponto turístico, é essencial uma abordagem sustentável para a coleta e destinação dos resíduos. Programas de reciclagem e conscientização são cruciais para preservar a beleza histórica e cultural da região.
A gestão integrada dos resíduos sólidos de Salvador-BA precisa se estender ao Pelourinho, local de grande movimentação turística. A coleta seletiva e ações de limpeza são necessárias para preservar a autenticidade e o charme do local. A união de esforços entre governo, moradores e visitantes é imprescindível para o sucesso dessa empreitada.

Para estruturar um sistema de gestão ambiental municipal é preciso criar uma base institucional que tenha um conjunto de normas locais e uma estrutura administrativa que possa colocá-las em prática. As políticas municipais devem estar em sintonia com as estaduais e federal.

É importante promover articulações institucionais com a lei Orgânica municipal, a Agenda 21, o estatuto das cidades e os comitês de Bacia hidrográfica. para que a gestão ambiental seja efetiva, é preciso que não haja contradições internas entre as diversas normas e princípios que regem as decisões no município.

Aconselha-se que, juntamente com o órgão municipal de meio ambiente, o município crie também o seu conselho municipal de meio Ambiente, como instrumento de controle social, e tenha um fundo de meio Ambiente, para captar os recursos destinados à conservação e à preservação ambiental.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

  • Programa Nacional de Capacitação de Gestores Ambientais
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Gleysson B. Machado

Sou especialista em transformar problemas ambientais em negócios sustentáveis. Formado em Dip. Ing. Verfahrenstechnik (Eng. Química) pela Universidade de Ciências Aplicadas de Frankfurt/M na Alemanha com especialização e experiência em Tecnologias para geração de Energia e Engenharia Ambiental. Larga experiência em Resíduos Sólidos com foco em Biodigestores Anaeróbios
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